O fato de essas declarações serem proferidas ao mais alto
nível é uma prova do caos e da desorientação em que se encontra a liderança
norte-americana. Durante muitos anos, o objetivo dos EUA foi não permitir uma
grande aproximação entre a Rússia e a China, e muito menos o surgimento de uma
aliança militar.
Contudo agora, numa situação em que tanto Moscou como Pequim
continuam, pelo menos nas palavras, a negar seu interesse em formar um bloco
político-militar, é o próprio presidente norte-americano que os une na
qualidade de potenciais adversários militares dos EUA.
É possível que esse discurso apenas reflita a lógica do
desenvolvimento das relações internacionais na forma como a entendem os Estados
Unidos. Os norte-americanos praticaram durante décadas uma política de
contenção da Rússia na Eurásia e da China na Ásia Oriental, apesar de o negarem
verbalmente. Ao levar a cabo essa política, os EUA também tentaram de todas as
formas criar um distanciamento entre Moscou e Pequim. Neste momento já é
evidente que essa estratégia fracassou. Com a sua política, os norte-americanos
apenas tornaram inevitável a aproximação russo-chinesa.
Ainda estamos longe da formação de uma aliança formal. Mas,
se ela surgir, os EUA e seus aliados irão enfrentar uma ameaça que fará a
antiga confrontação com a URSS parecer uma brincadeira de crianças.
A China e a Rússia são a segunda e a quinta economias
mundiais e ambas fazem parte das três maiores potências militares. Entretanto,
a Rússia continua a possuir o maior arsenal nuclear do mundo, composto por
armas nucleares estratégicas e táticas, e a China – as maiores forças
terrestres convencionais. Suas economias se complementam e a extensão de suas
fronteiras comuns permite realizar trocas comerciais por via terrestre e em
segurança.
A Rússia e a China possuem gigantescas reservas em ouro e
divisas e são grandes credores dos países ocidentais. Com uma estreita
cooperação militar e econômica, Moscou e Pequim serão quase invulneráveis a
pressões ocidentais.
Os EUA são a potência mais poderosa do mundo, e muitos
pensam que cada passo que eles dão segue algum plano complexo. Na realidade, os
atos dos EUA se baseiam numa percepção deturpada da realidade. Frequentemente
eles resultam de simples incompetência, de previsões erradas e de simples erros
táticos. Um desses erros foi a pressão exercida simultaneamente sobre Moscou e
sobre Pequim, o que acaba por aproximá-los ainda mais. Ao juntar uma aliança
anti-chinesa na região da Ásia e Pacífico e ao reforçar as sanções contra a
Rússia, Washington praticamente não deixa outra alternativa à Rússia e à China.
Uma aliança política e militar russo-chinesa tem, por
enquanto, apenas um caráter hipotético, mas os próprios Estados Unidos aceleram
a criação desse cenário, que para eles será de pesadelo.
Numa perspectiva de longo prazo, o reforço de uma parceria
russo-chinesa conduz à perda pelos EUA da sua liderança global. Mesmo nos
países aliados dos Estados Unidos suas ações provocam uma crescente irritação
mal disfarçada.
Contudo, numa perspectiva a curto prazo, a política dos EUA
irá provocar periodicamente uma inútil desestabilização e caos, como temos tido
a oportunidade de observar na Síria e na Ucrânia.
Voz da Russia
DeOlhOnafigueira
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Faça um blogueiro feliz, comente!!
Porém...
Todo comentário que possuir qualquer tipo de ofensa, ataque pessoal e palavrão, será excluído sem aviso prévio!